Sinopse

O projeto "Vídeo-cartas para Acaraú, Santa Maria e Pereirinha/itacuruça" visa à criação de um circuito de "vídeo-correspondências" entre essas comunidades simulando no tempo e espaço real a circulação e troca de conteúdos mediados por ferramentas digitais que já acontecem nas redes sociais virtuais.   O vídeo será o principal meio de levar e trazer as criações do cotidiano, mensagens e pensamentos que cada pólo do circuito deseja produzir para o experimento.

 

O que foi o experimento

Inspirado nos trabalhos de Arte Sites ambientais, o projeto visou à criação do circuito do “vídeo-correspondência” entre as comunidades caiçaras e quilombolas de Mandira, Marujá e Santa Maria. Simulamos no tempo e espaço real dessas comunidades que ainda não possuem comunicação via internet, a circulação e troca de conteúdos mediados por ferramentas digitais que já acontecem nas redes sociais virtuais. O vídeo foi o principal meio de levar e trazer as criações do cotidiano, mensagens e pensamentos que cada polo do circuito deseja produzir para o experimento.

As vídeo-cartas foram realizadas e editadas pelos coletivos e logo a seguir “postadas” ao vivo para provocarem as respostas que, por sua vez, também foram registradas e editadas e de novo lançadas no circuito. A forma de exibição para cada vídeo-carta foi o monitor de TV/DVD instalado em espaço privado ou público onde pessoas das comunidades endereçadas se reuniram para assistirem juntos. Nessa ocasião, o clima de festejo e curiosidade entre os que compartilham e comentam as imagens e cujo registro – anexado aos novos conteúdos - já formam parte da próxima réplica ou tréplica.
  Deste modo foi tecida a rede para uma cartografia afetiva que serviu como matéria-prima para expressar a riqueza artística e imaginária de situações e relatos dos “personagens” ao redor de suas tradições e de suas vivências: o mundo dos “encantados”; as alegorias dos festejos; os rituais da roça; as enunciações do passado presente nos sonhos, histórias autobiográficas, etc.

É importante observar que o contexto da cultura local onde ocorreu a intervenção está permeado por códigos de conflitos que vêm desde a escravatura e chegam até hoje na luta pela titulação das terras, nos embates com as Unidades de Conservação Governamentais e com projetos de implantação de barragens. Tratou-se, portanto, de construir um marco artístico num território que resiste e recria-se ao mesmo tempo.